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Dentre as inúmeras mudanças ocorridas,
estão as que se referem às idéias do homem sobre a arte e à atitude do
artista em relação ao que se chama estilo. Há um personagem numa das
comédias de Molière que fica atônito quando lhe dizem que falou em prosa
durante toda sua vida sem o saber.
Em épocas passadas os artistas faziam suas obras de acordo com o
que achavam certo ou porque tinham que ser assim, não questionavam se
seguiam alguma tendência, acreditavam que suas obras eram praticadas ao
seu gosto pessoal, sem influências externas ou algum compromisso
estético pré-estabelecido. Mas, já no séc.XIX a questão estilo tomou
novo rumo.
Procurava-se ora seguir o ideal de regras da arquitetura
clássica estabelecido nos livros de Palladio, ora questionar o uso
desse ideal e empenhar uma volta romântica ao passado através de
construções neo-góticas ou de inspiração oriental. |
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Alguns arquitetos
procuravam seguir influências de diversos estilos em uma única
construção, utilizando influências do barroco, arte oriental, clássico e
também dos recém-surgidos Art Decor e Art Nouveau. O mundo ocidental
caminhava para um futuro diferente a passos rápidos, mas algumas pessoas
acreditavam não ser preciso pensar nisso seriamente e preferiam olhar a arquitetura
como resultado das necessidades e do modo de vida do homem daquele
momento. Construíam prédios com tecnologia sofisticada da época,
atendendo por vezes a necessidades funcionais que já se impunham, mas
traziam um passado estranho aquela realidade para revestir suas fachadas.
A arquitetura Eclética tem para a história grande valor porque relata
esses momentos de profundos paradoxos na vida do homem moderno.
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A casa
urbana brasileira consistia numa
tipologia de construção nova para a época. Acontecia um crescimento rápido
de muitas cidades brasileiras, de maneira que no início do séc. XX, a casa
passa a ter sua fachada principal alinhada à testada do lote, ganha um
acesso e varanda laterais e comumente é geminada com sua vizinha. Os portões
e gradis são de ferro e essa casa pode receber ainda uma profusão de
influências de períodos distintos do passado.
ESQUERDA: A presença do porão é comum na época. Balaústrada na
platibanda e cornija logo abaixo, clássicas. Padieira em forma de cornija
acima das janelas também é clássica, mas o elemento ornamental
rebuscado quebra a formalidade comum ao clássico. Os caixilhos das
janelas e a cor da casa denotam a presença do Art Decor. Esse ecletismo,
mesmo que discreto, acompanha a arquitetura brasileira até a década de
trinta do séc. XX. |
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O uso
de cores fortes é uma influência da
proposta contemporânea do estilo Art decor, que por usa vez ganhava
inspiração no uso de cores mais agressivas do movimento fovista da
pintura moderna. Os gradis de ferro são presença quase obrigatória nos
prédios da época.
DIREITA: Presença de platibanda em concreto com desenhos
geométricos imitando os que eram produzidos nos gradis de ferro tão em
moda, traços do Art Decor. Acima das janelas surge uma surpreendente
padieira ornamentada com a famosa concha do Barroco e Rococó. Estilos,
histórias, memórias e épocas que se misturam e incrivelmente se fundem,
aqui, no ecletismo. |
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ACIMA: A
platibanda escalonada (tipo escada) e simétrica, coroando a fachada
é um traço típico do Art Decor. Mas há a presença de
guarda-corpo com balaústres clássicos, colunas coríntias e do
arco romano.
A riqueza de misturas e efeitos que se pode conseguir
com
associações desse tipo só o ecletismo consegue explicar.
Há
quem diga que existe um certo rendilhado gótico e um ar
oriental na
volumetria desse prédio, sede de um clube em Curitiba,
mas a
unanimidade é que o aspecto final resulta fantástico. |
ACIMA:
Esse prédio tem uma dominância de aspectos da arquitetura
neoclássica, mas os excessos nos ornamentos, os gradis de ferro e
as esquadrias utilizadas denunciam a inevitável influência de outros
estilos, típicas do ecletismo.
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Traços da
arquitetura Art Decor no recorte geométrico
da platibanda e nos formatos geometrizados dos ornamentos abaixo das
janelas. A presença do porão (elemento típico da época) é
denotada pelas pequenas janelas emolduradas com forma geométrica
característica do Art Decor. A cor forte utilizada também é influência do
Art Decor.
Mas as padieiras sobre as janelas e as colunas coríntias que
emolduram a fachada, denunciam a presença de elementos utilizados
na época, pela arquitetura neo-clássica, o que demonstra o quanto por vezes era difícil ao arquiteto passar imune
às influências ecléticas do período. |
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A casa
urbana perdeu terreno, geminou com o
vizinho e recebeu um jardim de acesso lateral e um quintal nos fundos,
onde geralmente havia o pomar.
As varandas laterais recebiam estrutura e gradis em ferro.
DIREITA: O ecletismo nesse prédio sente-se pela presença da
concha e ornamentos rebuscados à moda do barroco na fachada,
elementos esses totalmente estranhos a proposta principal do
prédio, o art decor. |
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