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KITSCH


 

5)- Demonstração de preferências religiosas, esportivas, de modo de vida e de origem

Nas fachadas dos prédios ou nos ambientes sociais e de acesso de uma edificação.
Nessa categoria se enquadram as casas dos subúrbios cariocas que inserem santinhos em suas fachadas, ou ainda o casario antigo de imigrantes no sul do país, que externam sua religiosidade já na fachada principal.
Painéis de azulejos com a nau lusitana de Vasco da Gama e a cruz de malta, demonstram a presença da cultura portuguesa naquele lar.
Numa atitude simples de externar essas preferências, as pessoas que praticamente não participam ou não se preocupam com as convenções e o senso estético, articulam-se com naturalismo.
Assim, escudos e emblemas de times de futebol podem decorar fachadas, pisos e paredes da residência do torcedor fanático; Santos poderão estar a frente da casa ou ter uma gruta de pedras no jardim, se o fervoroso devoto assim o desejar e não se importar com a opinião alheia , que o achará kitsch ou até mesmo brega.

Santos na fachada ou no ambiente social, externando a religiosidade.

Pode não ser brega, mas é Kitsch.

É claro que existem alguns lugares onde o Kitsch é melhor aceito e mais natural, como nos ambientes infantis, já que o universo das crianças é composto por toda essa temática e fantasia. Assim, uma festa infantil desenvolve-se toda dentro de certos temas e o Kitsch fica totalmente dentro do contexto. Em sítios e fazendas também é mais comum a presença da cultura Kitsch e por isso é mais aceitável, como carroças e carrinhos de mão utilizados como suportes para flores.

Muitas vezes o Kitsch entrará para compor esse universo rural de uma forma mais romântica e temática, ou mesmo com o bom humor que lhe é característico. O ambiente rural também está muito arraigado com a religiosidade, sendo muito comum a presença de capelinhas e oratórios externos; dessa forma o Kitsch fica muito bem instalado.

Atualmente é mesmo uma tendência o uso do Kitsch, até mesmo por aqueles que participam ativamente das convenções estéticas e que não admitem um deslize sequer na moda ou nas tendências. Versões em designs mais sofisticados e atuais não diminuem o valor do Kitsch, apenas conseguem garantir de que não serão bregas.
O modo Kitsch de ser ainda inclui as frases que contém máximas, ditos populares ou ainda uma idéia que defina um modo de viver.

Isso é muito comum principalmente em ambientes rurais ou periféricos, como nos acessos de sítios e chácaras em todo o Brasil.
Exemplos: “Cantinho do papai”, “Lar doce lar”, “Chácara do vovô”; “Recanto da  felicidade”, etc.

6)- Idealização de uma situação, bucólica, campestre, imaginária ou até mesmo infantil e fantasiosa

É o caso dos anões de jardim, branca de neve, sapinhos e patinhos artificiais, que irão criar um clima fantasioso e temático, onde um jardim na cidade pode ganhar ares do campo com a presença de laguinhos com bichinhos artificiais e seres das florestas como os duendes.

Numa escola infantil essa temática é até necessária e está tão inserida no contexto que não chega a chamar a atenção. Já numa edificação residencial urbana, por exemplo, a criação de algum tipo de fantasia dessa natureza, irá destacar-se de modo especial. Tudo irá depender do gosto do proprietário, se é mais ou menos avesso as convenções estéticas pré-estabelecidas.

 

Anãozinho de jardim.

Cogumelos e pedrinhas sorridentes, o clima fantástico do universo Kitsch.

O que poderíamos dizer para uma pessoa que adora anões de jardim, cogumelos, sapinhos e garças artificiais? Diríamos para ter cuidado com esse tipo de artifício Kitsch que é também muito caracterizado como brega nos jardins atuais. Trata-se de recurso na maioria das vezes, utilizado por leigos ao planejar um jardim, mas que pode até ficar agradável se usado com critério e bom humor.
O exagero, acreditamos que seja o que deve realmente ser evitado.
Não transforme o jardim numa espécie de parque temático. Procure não perder a noção de realidade, por maior que seja a tentação em fantasiar e não transforme o seu jardim naquilo que ele não pode ser: numa floresta, numa ilha encantada ou no pátio do palácio da branca-de-neve.

Nessa situação incluem-se os famosos pingüins de geladeira. Que estabelecem uma idéia simbólica de ilustrar o frio sobre um aparelho que produz: o frio. Esse simbolismo é muito característico do Kitsch assim como as demonstrações de idéias e modo de vida do morador do local.

 Existem coleções de pingüins de geladeira até muito simpáticos, em diversos tamanhos e formatos, uns gorduchos e outros mais esbeltos, que podem ser usados por conta da descontração e do bom humor, sem risco de cair numa situação considerada brega.

 

 

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