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A ESCOLHA DAS PLANTAS

Para a escolha das plantas de um jardim, é preciso levar em conta pelo menos 3 pontos bem distintos:

1)- A questão estética: que atenderá as necessidades do projeto. Nessa questão fatores como a altura, volume, cor, forma e época da floração são aspectos importantes a considerar. A altura final de uma planta deve ser conhecida para que não ocorram surpresas desagradáveis, como o seu crescimento além do esperado, onde a planta ultrapassa as demais, tirando-lhes a visão e o sol necessário ao seu desenvolvimento.  

Num canteiro as plantas que estão na frente devem ser mais baixas que as de trás. Existem plantas que são erroneamente colocadas nas bordas dos canteiros, com intenção de contorna-lo, mas que logo a seguir ganham uma altura superior as demais que estão por trás.

Direita, esquema correto de colocação das plantas num canteiro.

As cores também são outro ponto importante, porque é preciso procurar harmonia entre as cores num jardim, além do que é possível planejar a época de floração e até faze-la coincidir com alguma ocasião específica. Por exemplo, canafístulas para que o verão ou o fim do ano pareça mais alegre. Mas é preciso evitar que certas cores se encontrem na floração, se você não deseja contrastes vigorosos em seu jardim. Portanto, ao escolher as plantas é preciso considerar além de sua cor, a época da floração.
Ao lado, para criar um ambiente no jardim, foi preciso selecionar a planta de acordo com sua altura e capacidade de adensamento. A cor também precisou ser pensada e a época da floração também, já que é possível uma programação prévia. Fatores como o clima, praticidade e gosto pessoal do usuário também não devem ser dispensados.

Observe as formas de cada planta. Algumas parecem harmonizar-se naturalmente, outras estabelecem um contraste entre si, que nem sempre resulta harmônico. Ao escolher uma espécie, considere a outra que estará ao seu lado, do ponto de vista da altura, forma e cor.

Alguns terrenos não possuem dimensões apropriadas para receber certas árvores. Considere a largura final e altura da espécie que escolher e veja que algumas árvores possuem galhos quebradiços, outras são pouco resistentes ao vento, e as que soltam folhas poderão entupir calhas se estiverem muito próximas à edificação.

2)- A questão funcional: a maior ou menor praticidade de um jardim, deve ser considerada na escolha das plantas. Para uma casa de fins de semana, o conveniente é utilizar plantas que não exigem muitos tratos culturais, que apresentem crescimento moderado, e em alguns casos até a perda de folhas de uma árvore caduca pode ser pouco prático do ponto de vista da manutenção do jardim. O uso de plantas anuais, que precisam ser renovadas no canteiro a cada estação, também deve ser evitado em situações onde a manutenção tenha que ser racionalizada. Ao lado, temos uma foto enviada por aluna em jardim que realizou após o curso. A Cyca na área próxima à piscina, não solta folhas e suporta a insolação natural do lugar; também não exige grandes tratos culturais, o que a torna uma opção bem prática para a situação. Além do aspecto tropical que é mantido à beira da piscina, com a presença de Cycas.

Direita, Cyca enviada por Neide C. Cheneviz Kühl, de Limeira - SP

Mas se você adora cuidar de seu jardim e tem algum tempo disponível, porque não? Plantas anuais darão um colorido diferente a cada estação, árvores caducas que além de perder as folhas darão lindas flores, podem ser um elemento sempre novo na paisagem.
3)- A questão física: Cada local do jardim possui uma condição de luminosidade diferente. As plantas também irão necessitar de um local adequado as suas necessidades. Plantas que necessitam de mais de 4 horas de sol diários (sol-pleno) precisam dessa condição para se desenvolver bem. Plantas que suportam aquele sol da manhã ou da tarde num período entre 2 a 4 horas diárias (meia-sombra) e plantas que suportam no máximo 2 horas diárias de sol (sombra), precisam ter essas condições de luminosidade atendidas para que cresçam saudáveis e mais resistentes a pragas e doenças.

A escolha da espécie que é aclimatada na região também poderá definir o bom desempenho da planta. Espécies de regiões climáticas diferentes poderão desenvolver-se mais lentamente, apresentar porte final menor, florescer em menor intensidade e até perecer durante o crescimento. Um exemplo é o uso de coníferas (foto ao lado) em regiões de clima quente onde não se adaptam.

Como já vimos, para escolher as plantas de um jardim será preciso levar em conta alguns aspectos: as cores, o estilo, o clima, tipo de solo existente, gosto pessoal do usuário, funcionalidade e praticidade necessárias. Aqui, iremos abordar alguns desses aspectos mais importantes, de modo a revisar e aprofundar os assuntos que constam das matérias das aulas.

 A escolha das cores num jardim:
A)- Monocromático: O jardim monocromático é o que utiliza a predominância absoluta do verde. Em seus diversos e tão variados tons e texturas, mas ainda assim, verde. Saiba que esse tipo de jardim propicia o relaxamento, o repouso.  Para que tenha um certo ar de novidade e movimento, é preciso que os verdes variem em algumas das infinitas possibilidades que a natureza nos coloca a disposição. Esse recurso confere uma certa dinâmica e aumenta o interesse pelo jardim, não o deixando cair na monotonia ou que se torne pouco atraente. É claro que você pode usar ainda um pouco de flores, bem discretas e de preferência na cor branca, não deixando que contrastes ingressem neste jardim; caso contrário deixaria de ser monocromático. Observe a beleza do variado leque de verdes diferentes, que a natureza coloca a disposição de sua criatividade:  

Grama-preta (Ophiopogon japonicus) e Grama-azul (Festuca glauca) – nesse tipo de forração ou bordadura, você pode escolher entre o verde intenso ou o verde azulado. Veja no canteiro da foto ao lado, como a variação de cores é muito sutil e o jardim adquire características monocromáticas, mas varia em texturas e discretamente nos matizes.
Pingo-de-ouro (Duranta repens) ou o Bambuzinho-amarelo (Bambusa gracilis) com seu verde amarelado, poderão dar um grande movimento junto com folhagens mais verdes, como o Buxinho (Buxus sempervirens), por exemplo.

O verde médio e alegre das bananeiras ornamentais, monsteras e samambaias, pode ter um contraponto na tonalidade atenuada da Schefflera variegata, ou de uma bela folhagem da Dracena-malaia (Pleomele reflexa ‘variegata’). Isso sem esquecer das diversas tonalidades e mesclados encontrados nas folhas das marantas brasileiras.  

Ao lado, a Schefflera variegata.

 

Ainda será possível inserir algumas discretas flores brancas, sem quebrar a proposta do verde dominante. O uso dos delicados Lírios-da-paz (Spathiphyllum wallisii) com sua folhagem verde escuro e as delicadas flores brancas é sem dúvida uma boa idéia mesmo num jardim monocromático. Como dispensar totalmente as flores? E nem é preciso porque se procurarmos bem, quanta surpresa agradável, e nosso jardim ainda poderá continuar sendo... Monocromático. Além do Spathiphyllum, podemos usar a Trepadeira-jade (Strongylodon macrobotrys), com as flores verdes azuladas.
Esquerda, jardim tropical monocromático, com a presença de Lírios-da-paz.

B)- Contrastes: Se a proposta é de alegria e movimento, então teremos liberdade em usar dos contrastes. E nesse caso trabalharemos com as cores que são diferentes entre si, ou seja, se o verde que é a cor básica num jardim é frio e repousante, o contraste virá através de cores que são quentes e alegres: as que provém do vermelho ou amarelo. Nesse caso, quanto mais vermelha for a cor, mais alegre será e maior será o contraste com o verde existente no jardim.

Analisando o disco cromático percebemos que as cores que estão lado a lado têm uma certa semelhança entre si. Portanto, se usarmos essas cores juntas, que chamamos de análogas, estaremos trabalhando com harmonia entre as cores. O contraste já é estabelecido com o verde do jardim, mas ele pode ser em maior ou menor intensidade, dependendo da escolha das Cores. Dê preferência a trabalhar com um número pequeno de cores, ou seja, não mais que 3 ou 4 cores além do verde, num mesmo local no jardim. Dessa forma, amarelos, laranjas e vermelhos, são harmônicas porque estão lado a lado no disco cromático e por isso têm uma cor básica em comum. Você ainda poderá agregar a esse conjunto o branco que é neutro. Poderá distribuir essas cores entre as diversas plantas de seu jardim, procurando distribuí-las de modo equilibrado e sem exageros. O fundo verde deve prevalecer, mesmo que a proposta seja de ousar no colorido. Então você poderá ter associações do tipo:
Flamboianzinho (Caesalpinia pulcherrima) - (laranja avermelhado); Caliandra-branca; Canafístula (amarela); Lantana camara (amarelo e laranja); Mussaenda vermelha ou branca; Cipó-de-são-joão (Pyrostegia venusta) – laranja; associados num esquema de cores previamente escolhido e que vai do amarelo ao vermelho, ainda pode incluir o branco para atenuar. Na composição da foto ao lado, temos o contraste vigoroso que o vermelho e amarelo juntos irão provocar com o verde de fundo existente. 

Ao lado, jardim com tulipas coloridas.

Outra composição interessante é trabalhar com as cores que vão do  vermelho até o azul, veja no disco de cores as possibilidades de violetas e azuis. Sugestão: rosas, violetas e brancos, em seus vários tons, ficam muito bem numa composição. Você pode escolher o violeta e trabalhar com as cores que estão dos seus dois lados no disco cromático, ou seja, rosas e azuis. Esta é uma composição análoga, onde há nas cores uma cor básica em comum. Elas são escolhidas lado a lado no disco de cores.
Esquerda, jardim japonês com Íris coloridas.
Nesse caso uma sugestão é associar entre si: Hortênsias (violetas azulados, róseos), Rododendros (róseos), Buquê-de-noiva (Spiraea x vanhouttei) branco para atenuar, Primaveras (em tons róseos, vermelhos ou brancos), Jasmim-dos-poetas (Jasminum officinale) ou Jasmim-estrela (Jasminum nitidum) ambos brancos, Íris germanica (violeta). 

Direita, Iris germanica.

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