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A ESCOLHA DAS PLANTAS

 Texturas no jardim:

O jogo de texturas torna-se mais interessante num jardim monocromático, no momento em que propõe um certo movimento, valoriza a volumetria e contrapõe as diversas espécies, num certo jogo de delicados e discretos contrastes. Entendo a textura como a diferença ente o aspecto da planta, que envolve nuances na tonalidade e no formato, podemos entender que um gramado pode ficar mais interessante se contraposto a uma forração que lhe modifique o aspecto, mesmo que não mude exatamente a cor ou a forma. Por exemplo: Grama São-carlos com Grama-preta; Grama com Clorofito; 

Direita, Ligustrum sinensi ‘Variegatum’. Textura verde mesclada.

Buxinho com Ligustro-arbustivo (Ligustrum sinensi ‘Variegatum’); gramado contraposto a  um canteiro de Serissa (Serissa foetida). As diferenças entre texturas ficam muito no âmbito de pequenas variações nas folhagens, que podem enriquecer e valorizar a volumetria de um jardim. Por vezes, a intenção não é jogar com contrastes entre cores, e sim de trabalhar com um jardim mais discreto, onde o jogo de texturas diferentes irá ditar o ritmo e valorizar a volumetria.
Esquerda, Clorofito (Chlorophytum comosum). Textura verde mesclada, diferente do Ligustrum acima.

A Influência do Clima: 
Podemos ter preferência por certas plantas, ou por suas cores, mas é preciso observar que a natureza sempre disponibiliza opções que podem substituir uma planta de que gostamos muito, na região climática adequada. O clima interfere sim na escolha das plantas, e algumas vezes é necessário fazer uma escolha mais funcional e baseada nas melhores condições de desenvolvimento que a planta terá.
Existem muitas plantas que se adaptam a regiões climáticas diferentes, como é o caso dos Hibiscos (foto ao lado), plantas tipicamente tropicais e são cada vez mais utilizados no sul do país atualmente, tornando-se mesmo uma espécie de novidade para muitos que não o conheciam de perto. Já outros gêneros oferecem espécies para cada região climática e nem é preciso escolher a planta de outro clima, como é o caso dos Ipês (Tabebuia) onde você pode encontrar várias espécies para várias regiões do país. Neste caso, convém escolher a espécie mais adequada a sua região, para que a planta floresça mais intensamente e se desenvolva da melhor maneira possível.

Ao lado, o Hibisco, arbusto tropical que pode adaptar-se em clima ameno.

As canafístulas apresentam duas espécies bem conhecidas para regiões distintas. A Senna multijuga que apresenta ocorrência em todo o  país, florescerá com maior vigor e se desenvolverá muito bem até no clima da região sul. Já a Senna spectabilis, nativa no nordeste é resistente ao clima daquela região incluindo a  caatinga. São espécies muitíssimo parecidas, com uma florada amarela muito ornamental no período do verão, e não há motivos para as usarmos fora de suas regiões de origem.  
Outro exemplo de opções que a natureza oferece é a Primavera, onde a espécie glabra de brácteas róseas ou lilases, são mais apropriadas ao clima do sul. A espécie spectabilis de cores mais vivas e variadas é mais adequada ao clima tropical. Neste caso, quando plantamos a espécie dentro do clima adequado, teremos a planta com uma performance muito melhor, ou seja, ela realmente florescerá praticamente o ano todo como é natural no gênero e seu desenvolvimento será o melhor possível. Já quando plantamos a espécie de clima tropical, por exemplo, no sul do país ela já não florescerá por um longo período anual, sofrendo e ficando com mal aspecto nas estações mais frias.  
   

Em alguns casos podemos até perder a planta em sua formação, enquanto muda, devido aos maus tratos do clima inadequado. Podemos dizer que existem plantas que se adaptam razoavelmente a regiões climáticas diferentes e outras que realmente apresentam intolerância a determinado clima. A resistência das plantas a climas diferentes é maior ou menor dependendo da espécie escolhida. Todos sabemos de alguns exemplos conhecidos como as tulipas que suportam apenas locais bem frios e são muito exigentes quanto à temperatura. 
Existem também outros casos extremos como as coníferas (pinheiros) à esquerda e a Hortênsia (Hydrangea) à direita, são de regiões de clima ameno à frio. Essas espécies dificilmente irão adaptar-se em locais de clima tropical ou árido.
O importante é reconhecer que poderemos sempre utilizar outras opções 
que se adaptam ao clima local e o jardim ficará completo e bonito, além de mais saudável e prático de conservar.

 Os narcisos também são difíceis de cultivar em locais mais quentes. O Ipê branco (Tabebuia roseo-alba), como é difícil cultiva-lo no clima frio da região sul! Ele é nativo de áreas tropicais do Brasil central e exige muitos cuidados durante seu desenvolvimento em outras regiões, podendo mesmo perecer durante o processo, ou florescer com pouca intensidade na maturidade.  

Ao lado, a Araucaria angustifolia também denominada de pinheiro brasileiro ou pinheiro do Paraná. Uma conífera nativa no Brasil e cultivável apenas em altitudes acima de 900 m, e no sul do país em altitudes superiores a 500 m. Muitas outras espécies, entre elas inúmeras orquídeas, também são exigentes não só com o clima, mas com relação a altitude.

Mesmo para as plantas que se aclimatam de “certa forma” em outros climas, é preciso escolher um local onde ela possa ter proteção contra os rigores climáticos, para que se desenvolva bem. Algumas espécies que são cultivadas em pleno-sol no sul, devem ficar em meia-sombra sob o sol escaldante do sudeste ou nordeste, por exemplo. Outras que são tipicamente tropicais, devem ser protegidas do vento frio de inverno e das geadas, junto a muros ou construções, próximas as árvores, no sul do país.
Ao lado, a Hera; uma trepadeira que suporta o pleno-sol na região sul do país, mas em regiões mais quentes seu desenvolvimento é melhor em locais sombreados.


Estilo e Tema que se caracterizam numa região climática:  


Para o projeto de um jardim é preciso considerar o estilo arquitetônico da construção existente. Não é necessário seguir a risca um determinado estilo, o importante é não provocar certas misturas que irão estabelecer contrastes muito grandes entre estilos diferentes. Existem estilos criados pelo homem e outros que foram definidos por regiões climáticas:  

a)- Jardim Tropical – É um jardim definido por uma região climática, não foi criado ou planejado pelo homem. Quando nos propomos a fazer um jardim tropical, a tentativa é de copiar a natureza em todo o seu “naturalismo”, recriando o aspecto de um ambiente tropical. Além do naturalismo é preciso então, escolher plantas como as que ocorrem nesse tipo de paisagem: com folhagens exuberantes, já que no interior da abundante e generosa mata tropical há muita sombra e muita fartura de plantas diferentes. Elas costumam gostar de áreas sombreadas e de calor com umidade (como ocorre na mata). São elas em sua maioria, de folhagens atraentes podendo ser recortadas para maior absorção da umidade: costela-de-adão, samambaias, samambaia-chifre-de-veado. 
Outras plantas não possuem as folhas recortadas mas mantém a exuberância das folhas: marantas, calatheas, filodendros. Algumas prendem-se em árvores em busca de um pouco mais de luz,  são as bromélias e orquídeas que possuem flores tipicamente tropicais.
Ao lado, uma bromélia presa a árvore juntamente, com samambaias, musgos, etc. 

Acima, cycas, crótons, palmeiras e outras folhagens, caracterizam o ambiente tropical.

Veja nas duas fotos a seguir, as propostas diferenciadas para a área de piscina: na primeira o aspecto criado foi o de um jardim tropical, bem convidativo ao mergulho. Já na segunda, o formalismo urbano, com plantas topiadas (podadas em formato) e espécies típicas de regiões mais frias. Nesse caso, a piscina fica mais formal, menos atraente ao banho e menos naturalista também. A presença do muro não foi atenuada por elementos vegetais e os limites do terreno ficam bem marcados e a mostra. São propostas bem diferentes e tem que estar de acordo com um planejamento prévio, ou seja, devem ser escolhidas dentro de preferências do usuário, do profissional e de acordo com o espaço arquitetônico ao redor.

Piscina em ambiente tropical, despojado e naturalista. 
Recria as férias e sugere o descanso e lazer.
Piscina em ambiente formal e urbano. 
Mais geométrica e racionalista.
b)- Jardim desértico – Também um jardim definido por uma condição climática de aridez, ou seja, muito pouca umidade. O ambiente desértico pode ser quente ou frio, o que o caracteriza é mesmo a aridez. As plantas que participam de um jardim desses são suculentas, de folhas gordas e que acumulam água para sua sobrevivência. São capazes de armazenar água proveniente até do orvalho da manhã.
Cactaceas, suculentas em geral, palmeiras de regiões áridas e agaves, fazem parte da paisagem árida e não podem faltar num jardim desértico ou rochoso. Na aula referente a estilos de jardim, o aluno poderá conferir este e outros estilos com mais detalhes. A questão aqui é a necessidade de se considerar o estilo para a escolha das plantas.

Para recriar um jardim desses é preciso construir um ambiente adequado ao que existe no habitat natural das plantas: forração do solo em pedriscos ou areia grossa, além de esteticamente correto ajuda a drenar o excesso de água, já que as plantas não suportam solo encharcado. As plantas são predominantemente suculentas, entre elas as cactáceas e alguns arbustos secos com poucas folhas.  

Agave, pita. Muito utilizada em ambientes áridos ou rochosos.

Nesses dois exemplos acima, o estilo é mesmo definido pela própria natureza. Outros jardins foram definidos pelo homem: estilo japonês, clássico, inglês, etc.

Num mesmo terreno você pode ter dois estilos diferentes, desde que não hajam contrastes muito vigorosos entre eles.

Quando o jardim é temático, então segue-se o tema de modo mais fiel, quase teatral e sem muito naturalismo. É o caso de ambientes onde parece que entramos numa ilha tropical, ou atravessamos uma linha imaginária para uma região campestre dentro da cidade. O tema é mais fiel a si mesmo do que propriamente ao que está a sua volta. É uma proposta de seguir uma determinada linha, como certas chácaras onde é possível passear por vários locais temáticos. Piscinas tropicais com ilhas artificiais, cascatas fantásticas criando uma ambientação idealizada e até mesmo fantasiosa, pode não ser muito prático ou real, mas para o prazer e diversão, muitas vezes pode ser uma solução interessante.

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